Temer articula novo governo

Peemedebista procura o presidente nacional do PSB e pede apoio se impeachment for aprovado

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Brasília. Antes mesmo da reunião do diretório nacional do PMDB, que decidiu oficialmente romper com o governo da presidente Dilma Rousseff, o vice Michel Temer já articulava alianças para montar um governo caso assuma a Presidência. Pela manhã, ele se reuniu com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e disse contar com o partido no caso de o impeachment ser aprovado.

O encontro ocorreu no Palácio do Jaburu, onde Temer tem mantido uma série de conversas com lideranças partidárias nos últimos dias. O presidente do PSB afirmou que a conversa com Temer foi muito proveitosa e tratou da atual crise econômica e política. “Ele falou sobre o desembarque do PMDB do governo e quer discutir o futuro com todas as forças políticas, como o PSB, para discutir uma agenda para o país”, afirmou Siqueira.

O PSB ainda não tomou uma posição oficial sobre o impeachment de Dilma. A bancada do partido no Senado é contra o afastamento da presidente – dos sete senadores, apenas Romário Faria (RJ) declarou ser a favor. “O partido ainda vai decidir, mas avalio que na Câmara passa com facilidade a decisão em favor do impeachment”, disse Siqueira.

O presidente do PSB acredita, no entanto, que se o impeachment for aprovado pelo plenário da Câmara, dificilmente o Senado irá reverter a decisão. “Se um governo não tem condições de obter 172 votos para se manter, não há mais razão para existir”, disse Siqueira. Ele ressalta, porém, que a posição formal do PSB ainda será avaliada.

Guerra. Logo após a saída oficial do PMDB do governo, o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), chamou Temer de golpista e disse que não foi o PT que fez a escolha pela guerra. Segundo Florence, Temer posava de jurista e agora é golpista.

“Não fomos nós que fizemos escolha de guerra”, disse o petista ao comentar declarações de um colega de partido, o senador Humberto Costa (PT-PE), de que o vice será o próximo a cair. O deputado ainda avaliou que a fala de Costa não foi uma ameaça, mas uma previsão plausível.

“Não dá para derrubar uma presidente eleita sem crime de responsabilidade, sem apuração por aqueles que são investigados e supor que isso estabilize a República”, afirmou Florence, destacando que Temer é investigado pela Lava Jato, enquanto Dilma não é.

O líder do PT na Câmara tentou minimizar o impacto da saída do PMDB sobre a tramitação do impeachment, dizendo que nem todos os deputados da sigla devem fechar com a decisão do diretório nacional. “Temos que esperar o impacto da decisão da direção do partido nas bancadas da Câmara e do Senado. Temos que esperar mais seis ou dez horas, até a noite de hoje, para vermos qual é a posição deles (deputados e senadores)”, disse.

“Esse tema da legalidade democrática é muito relevante e parece que tocou alguns (parlamentares), assim como tocou uma parcela da população”, afirmou o petista, dizendo que é natural que haja conversas ainda nesta terça entre petistas e os deputados do PMDB. “É natural, vamos nos encontrar (no plenário) e conversar”.

Outros partidos. A articulação de Temer para a formação de um novo governo, nos últimos dias, passou até pela procura, por telefone, do presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves. Derrotado por Dilma nas últimas eleições, nesta terça Aécio comemorou o desembarque do PMDB do Planalto. “O governo Dilma acabou. A saída do PMDB fecha a tampa do caixão de um governo moribundo”, afirmou o tucano.

O Planalto teme que a saída do PMDB arraste outros aliados menores. “Haverá um efeito manada, o processo é irreversível. O tamanho da bancada do PMDB faz com que, quando o voto é em conjunto, ela quase sempre defina o resultado”, disse o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB).

Mais um

No governo. As bancadas do PP na Câmara e no Senado vão se reunir hoje para discutir se a legenda, que comanda o Ministério da Integração Nacional, continuará aliada de Dilma.

Por vídeo, elogios à atuação do Judiciário

Lisboa, Portugal. O vice-presidente Michel Temer participou nesta terça, por videoconferência, de um evento jurídico com a presença de tucanos em Portugal e aproveitou para elogiar a atuação do poder Judiciário e as privatizações ocorridas na década de 1990. Com a coordenação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e a participação dos senadores do PSDB José Serra e Aécio Neves, o 4° Seminário Luso-Brasileiro de Direito teve início com uma mensagem gravada por Temer.

“As instituições do nosso país estão funcionando muito bem: Legislativo, Executivo e Judiciário. O Judiciário hoje tem uma presença muito forte, muito significativa, que há de ser saudada por todos aqueles que se preocupam com um bom comportamento ético e político”, afirmou.

O vice-presidente também aproveitou para destacar o fim do monopólio estatal em diversos setores, ressaltando especialmente a atuação das empresas privadas de telefonia. Sem tocar na crise política, Temer elogiou os protestos ocorridos em junho de 2013.

Meirelles estaria cotado para a Fazenda

Brasília. Henrique Meirelles seria o nome mais cotado para assumir o Ministério da Fazenda, principal pasta econômica do país, em um possível governo de Michel Temer (PMDB-SP), segundo informações da colunista da “Folha de S.Paulo”, Mônica Bergamo. Com o andamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, membros do PMDB já se articulam para montar um possível governo liderado pela legenda.

O nome de Armínio Fraga, economista sempre citado durante a campanha presidencial pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para assumir a Fazenda, teria sido descartado, pois desagradaria a Temer. Meirelles não confirmou ter sido procurado por algum representante do PMDB e nem convidado para um possível ministério do governo peemedebista.

Parte da articulação de uma possível política econômica de Temer é conduzida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Também participa o ex-ministro Moreira Franco. Existe a expectativa de um ajuste fiscal duro.

A plataforma tem as diretrizes conhecidas, reunidas no documento “Uma Ponte para o Futuro”. O programa do PMDB, que em tese mira 2018, prega rigor fiscal e controle da inflação, redução de indexações, simplificação de tributos, acordos comerciais com EUA, União Europeia e Ásia, concessões e privatizações, além de reforma da Previdência, com idade mínima, e retorno ao regime de concessão no petróleo.

Outras diretrizes devem sair nos próximos dias, com foco na área social, em que ficará claro o compromisso do PMDB de manter e, se possível, reforçar o Bolsa Família. O Prouni também pode ser ampliado para os ensinos fundamental e médio.

Nesta terça, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), deu declarações afirmando que o partido está pronto para assumir o governo. A oposição mostrou desconforto com a postura do presidente do Senado, Renan Calheiros. Mais de uma vez, o senador Aécio Neves (PSDB) criticou o fato de Renan não se posicionar.

 

 

Fonte: O tempo

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