Congresso mantém maioria dos vetos de Dilma ao aumento de gastos

Eram 32 vetos da presidente a projetos aprovados pelos parlamentares.
Desses, 26 foram mantidos, como o que acaba com fator previdenciário.

O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, durante sessão marcada para analisar 32 vetos presidenciais (Valter Campanato/Agência Brasil)
O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, durante sessão marcada para analisar 32 vetos presidenciais (Valter Campanato/Agência Brasil)

O Congresso manteve a maioria dos vetos da presidente Dilma ao aumento de gastos aprovado pelos próprios parlamentares. A votação entrou pela madrugada.

O principal veto da presidente Dilma Rousseff não foi votado até agora. O projeto é o que aumenta salários de funcionários do Judiciário com reajustes de até 75%. O governo pressionou parlamentares, até a presidente Dilma ligou para senadores pedindo apoio. O PMDB está jogando junto, está apoiando a manutenção dos vetos. Na mudança das cadeiras dos ministérios, o PMDB vai ser beneficiado.

Foi assim o dia inteiro: servidores do Judiciário à espera da confirmação do reajuste. Dentro do Congresso mais um monte deles. Parlamentares ouviram apelo deles e do governo, que pediu exatamente o contrário: para que os vetos da presidente Dilma fossem mantidos. Ela mesma entrou direto na negociação por telefone.

A senadora Ana Amélia até levou um susto: “Foi a primeira vez que ela telefonou, quando perdi meu marido, quando cheguei aqui, ela também fez uma manifestação, mas politicamente foi a primeira vez”, conta. 

Até o PSDB, principal adversário, foi acionado. “No meu caso me ligou o ministro Eduardo Braga, trazendo argumentos sobretudo sobre a oscilação do dólar, a instabilidade econômica”, diz o senador Cássio Cunha Lima, líder do partido PSDB-PB.

E foi mesmo depois do dólar ultrapassar os R$ 4, as bolsas caírem, que o governo mudou de estratégia, desistiu do adiamento e saiu atrás de votos. Tudo para dar um sinal positivo ao mercado financeiro. Assim, a sessão foi aberta, o governo encheu o plenário na tentativa de barrar despesas bilionárias.

Eram 32 vetos da presidente a projetos aprovados pelos próprios parlamentares. Desses, 26 foram mantidos. Entre eles, a isenção do PIS/Cofins para óleo diesel, que custaria ao governo R$ 64 bilhões até 2019. E o que acaba com o fator previdenciário, que teria um impacto bilionário futuro.

Mas a madrugada foi chegando, o sono também, e a sessão acabou encerrada porque o pessoal começou a ir embora, faltando ainda 6 votações. Como a do veto ao reajuste para as aposentadorias igual ao do salário mínimo e o mais polêmico, que veta reajustes de até 78% para os servidores do Judiciário. Só ele teria um impacto de R$ 36 bilhões em quatro anos.

Os servidores que no fim do dia já estavam sem sapatos, sentados no chão e dormindo, foram obrigados a deixar o Congresso, sem saber se terão ou não o aumento. O governo saiu comemorando apesar de não concluída a votação.

“A gente tendo um tempo maior até para trabalhar um pouco mais a nossa base, eu não tenho dúvida nenhuma que vamos manter os vetos”, declara o senador Delcídio Amaral, PT-MS, líder do governo do Senado.

“De qualquer forma o governo mostra que ainda têm também dificuldades importantes porque não garante o quórum para que pudesse concluir essa votação agora”, afirma o deputado Bruno Araújo, PSDB-PE, líder da minoria.

O PMDB disse nesta terça-feira (22) que deu e continuará dando apoio ao governo, justamente no momento que o Ministério da Saúde foi oferecido ao partido. A outra vaga, para eles, no rearranjo da Esplanada é de infraestrutura, que deve juntar portos e aviação civil.

“A bancada por ampla maioria decidiu que irá encaminhar o nome de dois deputados para integrarem o novo ministério”, declarou o deputado Leonardo Picciani, líder do partido PMDB-RJ.

Agricultura e Minas e Energia que já eram do partido, serão mantidos. E o PMDM deve ter mais um ministério. Gesto que pode abrir caminho para uma relação melhor agora que o governo precisa de apoio para votar o ajuste fiscal.

Medidas chegaram nesta terça-feira (22) ao Congresso. Entre elas está a volta da CPMF, com alíquota de 0,20% sobre as transações financeiras: a nova batalha do governo.

“O que que significa isso? É uma quantia tão pequena que isso não atrapalha em nada, até porque os pequenos não vão ser taxados”, afirma o deputado José Guimarães, PT-CE, líder do governo na Câmara.

“Eu não tenho dúvidas de que a CPMF vai ser rejeitada. Não será aprovada, assim como qualquer matéria que vá na direção do aumento da carga de impostos, que a sociedade não mais admite pagar pelo ajuste das contas públicas”, defende o deputado Mendonça Filho, líder do partido DEM-PE.

 

 

Fonte: G1

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