Crime aconteceu na BR-174, entre municípios de Juína (MT) e Vilhena (RO).
‘Pensei que não iria chegar viva’, relembra paciente que desmaiou na hora.

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Quarenta pessoas que viajavam em um ônibus para a Bolívia foram assaltados por homens armados, neste domingo (13), na BR-174, na divisa entre os municípios de Juína (MT) e Vilhena (RO). De acordo com o registro policial, os ladrões levaram mais de R$ 20 mil das vítimas e atiraram nos pneus dianteiros do veículo. Na ação, uma das vítimas foi feita refém. Os passageiros contaram ao G1 que a maioria das vítimas são pacientes que seguiam para tratamento médico no país vizinho.

Conforme relato dos passageiros, o ônibus saiu de Colniza (MT), passou em Juína, e seguia para Rondônia através da BR-174. Um dos motoristas, de 55 anos, contou que havia 40 pessoas no coletivo. Para fazer o assalto, os ladrões bloquearam a estrada com pedaços de madeira. “Os bandidos estavam em dois carros, uma caminhonete e um carro baixo no local. Eram quatro homens, e três entraram dentro do ônibus armados”, explica.

Uma lavradora de Colniza, de 40 anos, conta que um dos ladrões fez um passageiro refém e o obrigou a recolher o dinheiro dos demais pacientes. “O bandido dizia assim: ‘se eu voltar para revistar vocês e encontrar dinheiro na mochila, vou levar vocês para fazer um passeio comigo. Fomos arrancando o dinheiro e colocando na sacola”, lembra.

A lavradora, que tem consulta médica na Bolívia com um clínico geral, entregou os R$ 225 para os assaltantes. Um aposentado de Colniza, de 75 anos, perdeu R$ 800. “Do jeito que estava deitado, eu fiquei. Tive medo de eles darem um tiro e pegar na gente. Nem levantei”, relata.

Caso foi registrado na delegacia de Polícia Civil (Foto: Eliete Marques/ G1)
Caso foi registrado na delegacia de Polícia Civil (Foto: Ricardo Araújo/ Rede Amazônica)

Outra lavradora, moradora de Juína, de 47 anos, passou mal e desmaiou durante o assalto. Ela faz tratamento para tireoide, e esta seria a terceira viagem para a Bolívia. Durante o assalto ela teve que entregar R$ 500 para os ladrões. “Fiquei assombrada. Eu pensei que não iria chegar viva aqui [em Vilhena]”, conta.

Um técnico de segurança do trabalho, de 31 anos, residente em Juína, também relembra o momento de susto. “Eles perguntaram se tinha mulher com criança dentro do ônibus, ou mulher grávida. Quando a mulher passou mal, eles ficaram assustados e apressaram o roubo”, complementa.

Depois que terminaram o assalto, os criminosos atiraram nos dois pneus dianteiros do veículo, deram um tiro para cima e fugiram. Um pneu murchou e foi trocado pelo estepe do ônibus. Após o assalto, os pacientes seguiram viagem, com um pneu vazando, até receberam ajuda de um caminhoneiro na estrada.

Motorista José machucou o dedo durante troca de pneu, após assalto (Foto: Ricardo Araújo/ Rede Amazônica)
Motorista José machucou o dedo durante troca de pneu (Foto: Ricardo Araújo/ Rede Amazônica)

“O caminhoneiro ajudou com outro estepe e conseguimos chegar em Vilhena. Quando fui trocar o segundo estepe, machuquei o dedo. Foi assustador o assalto. Um ladrão ficou na porta, outro do meu lado, e outro fazendo o roubo. Isso nunca tinha acontecido. Perdi R$ 6 mil”,  conta o motorista José Edes de Souza, de  55 anos, que conduzia o veículo no momento da abordagem dos criminosos Ele passou por atendimento médico no Hospital Regional e foi liberado.

Após chegar em Vilhena, os passageiros foram até a Delegacia de Polícia Civil, onde o roubo foi registrado. Durante a perícia, dois projéteis foram encontrados nos pneus, que estavam no coletivo anteriormente. O calibre da arma ainda não foi identificado.

Conforme as vítimas, os ladrões só levaram dinheiro, deixando joias e celulares com as vítimas. Após a perícia, os passageiros pretendem seguir viagem para a Bolívia para passar por atendimento médico.

O caso está sendo apurado pela delegacia de Vilhena, mas pode ser remetido a Mato Grosso, no decorrer das investigações. O G1 entrou em contato com a empresa União do Café, proprietária do ônibus, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

Fonte: G1

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