O empresário Eike Batista foi algemado por agentes da Polícia Federal ainda dentro do avião. A informação foi dada pelo passageiro que disse ter viajado no assento ao lado de Eike na classe executiva, logo após o desembarque no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, na manhã desta segunda (30). O empresário foi preso em investigação da Operação Lava Jato, sob acusação de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

“Tivemos que esperar por cinco minutos. Ele foi algemado e foi levado pela escada”, disse o norte-americano identificado como David.

O passeiro estava acompanhado do empresário Nestor Wryght, que também ficou próximo aos dois, e deu mais detalhes do voo.

“Ele estava sentado ao nosso lado, fez o check in com a gente, estava super calmo e normal, nós fingimos que não sabíamos quem ele era (…) Eles sentaram lado a lado e eu sentei na fila do lado. O avião, quando desceu, o piloto pediu que a gente esperasse cinco minutos que ele iria ser retirado. Desceu a escada e foi colocado em um carro e foi levado (…) Falamos com ele sobre banalidades. Temperatura, como estava em Nova York, frio e aqui não. Depois eles colocaram a algema e tiraram ele pela escada em um carro”, contou um passageiro que se identificou como Nestor Wryght, empresário de celebridades.

O empresário Sérgio Padovani disse que não tem pena de Eike Batista. “Enquanto ele estava com a Lamborghini enfeitando a sala, eu estava me ralando. Então, ele tem que pagar agora, né?”, declarou.

O avião que trouxe o empresário pousou no Galeão às 9h54. O empresário chegou ao Instituto Médico Legal (IML) por volta da 10h30 para ser submetido ao exame de corpo de delito. Cerca de meia hora depois, seguiu em direção ao presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte, onde chegou pouco antes das 11h30.

Um advogado que diz representar Eike disse, na porta da penitenciária, que ainda negociará com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal quando o empresário vai prestar depoimento.

Eike teve a prisão preventiva decretada depois que dois doleiros disseram que ele pagou US$ 16,5 milhões a Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, o equivalente a R$ 52 milhões, em propina. A prisão do empresário foi decretada pelo Juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal, na operação Eficiência, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

O empresário, considerado foragido após ter viajado a Nova York dias antes da operação policial para tentar prendê-lo, embarcou de volta ao Rio neste domingo (29). Antes do embarque, ele disse que ‘está à disposição da Justiça’.

Ele chegou sozinho ao aeroporto JFK, nos EUA, por volta de 21h50 (horário de Brasília) do último domingo (30), fez check-in e, minutos depois, passou pelo controle de passaporte. Às 22h15, já aguardava o voo dentro da sala de embarque e pouco depois da meia-noite foi rumo a aeronave.

Entrevista antes de embarcar
Dentro da área de embarque, o empresário deu uma breve entrevista ao repóerter Felipe Santana, da TV Globo. Questionado se tem algo a dizer aos brasileiros, ele declarou que está à disposição da Justiça: “Estou voltando para responder à Justiça, como é meu dever”. Eike destacou que este é o momento de “passar as coisas a limpo”.

“Estou voltando, porque sinceramente vou mostrar como é que são as coisas, simples assim”, reforçou Eike. Questionado sobre se mostraria algo que ainda não se sabe, ele evitou o assunto. “Como eu estou nessa fase, me entregando à Justiça, melhor não falar nada. Depois a Justiça e o que for permitido falar, vai acontecer depois, agora não dá”, afirmou.

O empresário negou que tenha cogitado fugir para a Alemanha (por conta de também ter cidadania alemã, o que evitaria uma deportação ao Brasil) e disse que viajou a Nova York a trabalho.

Segundo a reportagem, os advogados do empresário tentaram negociar a ida dele para um presídio especial mas não tiveram êxito.

Eike Batista é acusado, pelo Ministério Público Federal, de corrupção ativa. Segundo os procuradores , em 2011, o empresário pagou R$ 16 milhões e meio de dólares a Sérgio Cabral, o equivalente a R$ 52 milhões.

Na sexta-feira (27), o Jornal Nacional mostrou imagens da saída de Eike do país. Nelas, aparece de calça jeans e paletó preto chegando para embarcar no aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

Como Eike tem passaporte alemão e o país europeu não tem acordo de extradição com o Brasil, havia a preocupação de que o empresário fugisse da Justiça brasileira.

‘Boa vontade’ Os investigadores afirmam que o pagamento feito a Cabral por Eike se deu pela “boa vontade” do então governador do Rio com os negócios do empresário. Mas ainda não sabem, ao certo, que vantagens o empresário recebeu em troca dos milhões.


Fonte: G1

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