Chacina foi ato terrorista comandado por líder sem terra, vítimas eram sitiantes desarmados

CH

Após se inteirar das investigações e chegar ao principal suspeito de comandar a chacina, Pedro Arrigo, a Polícia Civil detalhou como foi o crime através dos depoimentos das famílias que viviam no local e sobreviveram.

O delegado Fábio Campos, responsável pelas investigações, contou como foi a ação que vitimou cinco pessoas e feriu outra. Segundo Fábio, o primeiro homicídio no conflito agrário ocorreu pela manhã de sábado no lote 75, do qual foi vitima o caseiro José Bezerra dos Santos, de 64 anos, popular “Corró”.

Ainda, segundo Campos, um grupo de pessoas que ocupavam o lote 75, ao perceberem pegadas e mangueiras da bomba-d’água aparecerem cortadas após a reintegração de posse, resolveram fugir antes que o pior acontecesse.

Estas mesmas pessoas teriam sido alcançadas pelos seis suspeitos da chacina, que estavam em três motos fortemente armados e ameaçaram os “peregrinos” dizendo que voltariam ao local para colocar o plano em ação.

As vítimas que permaneceram no lote 85 eram funcionários da fazenda que estavam trabalhando arrumando cercas e limpando a área. Ao final da tarde os criminosos cumpriram o aviso que tinham dado mais cedo aos fugitivos e fortemente armados atacaram as vítimas pelas costas e o primeiro que recebeu o tiro e morreu foi Daniel Aciari, que era sitiante vizinho e conversava com os demais.

Outro sitiante vizinho conhecido por “macarrão” que estava a conversar no local fugiu pela mata e escapou ileso. Já os demais fugiram para dentro da casa, que foi inclusive alvo de um “bombardeio” de tiros e tentaram colocar fogo na casa.

Neste momento as vítimas saíram da casa e foram baleadas. Os criminosos ainda atearam fogo encima de colchões com gasolina nas vítimas e um deles que se fingiu de morto atrás do colchão em chamas conseguiu fugir pela mata mesmo baleado nas costas e sobreviveu.

“Houve vítimas ali que estavam vivas e morreram não pelos tiros mas em razão do incêndio, foram queimadas vivas. Na verdade foi um ato terrorista praticado por pessoas que não respeitam, não merecem viver num estado democrático, porque estiveram ali em represália a a ação da justiça, xingaram as pessoas antes de matar, disseram que estavam ali porque aquelas pessoas não queriam deixar elas ficarem naquela área, quando na verdade foi uma ordem judicial. Agiram por vingança”, finalizou o delegado.

Na manhã desta segunda-feira, 19, investigadores da Polícia Civil estiveram realizando buscas na sede da Associação Canaã em Vilhena, em busca de apreender documentos, mas a sede estava fechada e a polícia suspeita que os documentos foram subtraídos do local.

Já o principal suspeito da chacina, Pedro Arrigo, o delegado Fábio Campos acredita que o mesmo pode estar escondido em assentamentos na região do Cone Sul.

 
Fonte:Extra de Rondônia

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