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Home Destaques

Caso Tainá: laudos de ossada humana achada em serra apontam que vítima sofreu emboscada em Monte Negro, RO

20 de julho de 2018
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Os laudos da perícia técnica de Ariquemes (RO), no Vale do Jamari, realizados na ossada humana encontrada em uma serra a cerca de 14 quilômetros de Monte Negro (RO), apontaram que a vítima sofreu uma emboscada para ir até o local e foi assassinada de forma cruel e violenta.

Junto a ossada humana adulta foram encontrados ossos de um possível feto e a Polícia Civil investiga se os restos mortais pertencem a Jovem Taina Carina de Lima Andrade, que está desaparecida desde outubro de 2017. Roupas que estavam no local foram reconhecidas pelos familiares de Tainá.

Delegado explicou que período em que ossada estava na localidade é compatível com o desaparecimento de Tainá (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
Delegado explicou que período em que ossada estava na localidade é compatível com o desaparecimento de Tainá (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Duarte, o odontólogo legal da perícia concluiu que a ossada estava na ‘Serra do Sapateiro’ a aproximadamente seis meses. Mas existem alguns critérios técnicos que estendam o período em que o cadáver havia ficado no local.

“A existência de raízes e plantas junto a ossada foi um dos elementos utilizado na análise, pois existe uma ressalva de que nos três primeiros meses não se crescem raízes e plantas. Seis meses com mais os três meses onde nada cresce se dará os nove meses, que é o período muito próximo do desaparecimento da Tainá”, analisou o delegado.

A partir desta informação, a equipe de investigação começou a trabalhar na reconstituição do crime e na reconstrução da mecânica delitiva, para saber o que teria acontecido no momento do crime, por que a ossada precisava indicar também a causa da morte.

O delegado acredita que a vítima foi atraída até a serra para uma emboscada, pois não teria como essa pessoa ter sido assassinada e levada para aquela localidade, devido o acesso ser extremamente difícil e o transporte do corpo também seria difícil.

“Não temos como precisar se o assassino estava em poder da arma do crime ou se a arma estava lá, mas o laudo revela a utilização de um instrumento cortocontundente, que pode ser uma foice, facão ou machado”, revelou Rodrigo Duarte.

Delegado que o crime aconteceu de forma premeditada e vítima tenha sofrido emboscada para ir ao local (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
Delegado que o crime aconteceu de forma premeditada e vítima tenha sofrido emboscada para ir ao local (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

Segundo Duarte, não existiam marcas de perfuração por disparo de arma de fogo na ossada e dificilmente foi utilizada uma faca de pequeno porte, pois todo o esqueleto foi rigorosamente analisado e a ossada adulta estava praticamente completa.

“Não existia nenhuma lesão nessa ossada, exceto uma lesão em ‘V’ na parte anterior e inferior da mandíbula. Essa vítima levou um golpe tão forte que a mandíbula foi fraturada e teve a perda de alguns dentes”, detalha o delegado.

Conforme os laudos, a Polícia Civil supeita de que a vítima não teve possibilidade de se defender, pois não tinham lesões nos ossos dos braços, nem ao menos em um grau de profundidade que chegasse a impactar o osso. Além das roupas, que não apresentavam resquícios de lesão.

“Acreditamos que o crime foi premeditado. O local foi escolhido, a arma do crime foi deixada lá, a vítima foi atraída até o local e no momento em que ela aguardava alguma coisa, o infrator se apossou da arma e a golpeado de forma covarde. Os golpes devem ter sidos dados no pescoço, por que essa lesão localizada na mandíbula não é causa suficiente pra morte da vítima”, salientou o Rodrigo Duarte.

Tainá Carina de Lima mendonça está desaparecida desde o dia 27 de outubo de 2017, em Monte Negro (Foto: Arquivo Pessoal)
Tainá Carina de Lima mendonça está desaparecida desde o dia 27 de outubo de 2017, em Monte Negro (Foto: Arquivo Pessoal)

A ossada encontrada foi encaminhada para passar por uma perícia em Porto Velho e o delegado ressaltou que os trabalhos estão sendo concentrados para extrair das vestes, das ossadas e de tudo que foi retirado do local do crime, elementos que possam levar a autoria do crime por meio do DNA.

“Se tiver um fio de cabelo do infrator, a gente vai conseguir identificar e por meio do DNA chegar a prisão. Qualquer vestígio de sangue, digital ou parte de tecido do corpo, caso tenha existido luta. Tudo está sendo rigorosamente examinado para extrair qualquer fragmento mínimo de DNA que possa nos levar a captura do infrator”, finalizou Duarte.

Dentro de 10 dias, a Polícia espera ter um grau de certeza se o feto era o que a vítima carregava no ventre e se a ossada humana pertence a Tainá Carina, para que assim possa chegar a conclusão de outro fator importante no caso, a paternidade da criança.

Entenda o caso

Tainá Carina desapareceu no dia 27 de outubro de 2017, depois de dizer aos familiares que iria até a residência do ex-marido, para exigir que ele pagasse a pensão da filha de cinco anos que eles tiveram e para que ele assumisse a paternidade do filho que esperava.

O ex-marido de Tainá chegou a ser preso no dia 28 de outubro, como principal suspeito no desaparecimento da jovem, mas ele comprovou que estaria em uma autoescola do município e foi solto.

Em novembro de 2017, a Polícia Civil começou a tratar o caso como homicídio e buscas foram realizadas em propriedades rurais da região. No dia 7 de novembro de 2017, familiares e amigos de Tainá fizeram um protesto na BR-421 e a rodovia que liga Ariquemes a Monte Negro ficou bloqueada por algumas horas.

No dia 8 de novembro, a PM encontrou uma casa localizada na zona rural de Monte Negro que poderia ter servido como cativeiro para a jovem. A mãe da jovem chegou a reconhecer algumas roupas íntimas e um batom da filha no suposto cativeiro, mas a polícia confirmou que os itens não eram de Tainá.

Casa que teria servido de cativeiro para manter a jovem grávida Tainá Carina de Lima (Foto: Assessoria/PM)
Casa que teria servido de cativeiro para manter a jovem grávida Tainá Carina de Lima (Foto: Assessoria/PM)

Em janeiro deste ano, o cunhado de Taina Carina foi preso por usar o número de celular da jovem. Para a polícia, ele não era suspeito do desaparecimento de Tainá, mas a prisão aconteceu para esclarecimentos sobre o uso do número da grávida em um aplicativo de mensagens.

Cinco dias depois ele foi solto, após a mãe e a irmã de Tainá confessarem que colocaram o chip no celular do cunhado da grávida sem o conhecimento dele.

Um machado foi encontrado em fevereiro deste ano terreno baldio de Monte Negro, com a suspeita de que poderia ter sido usado para assassinar a jovem. Mas a relação do objeto com o caso foi descartado pela Polícia.

Polícia encontrou ossada humana e roupas femininas na zona rural de Buritis, mas familiares de Tainá não reconheceram as vestes (Foto: Edson Nascimento/TBN notícias)

No último dia 24 de junho, após receber uma informação, a Polícia Civil encontrou uma ossada humana em uma área de mata a cerca de 16 quilômetros de Buritis (RO). Roupas femininas foram encontradas no local onde a ossada estava. Os familiares da jovem não reconheram as roupas, mas o material segue sendo investigado.


Fonte: G1

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