Várias ligações relatando ocorrências que não existem são registradas diariamente na central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em Ariquemes (RO), a cerca de 200 quilômetros de Porto Velho. De janeiro a abril deste ano, foram registradas mais de mil ligações dessa natureza, sendo mais de 300 ocorrências falsas por mês, segundo relatório do órgão.

Os dados são do relatório de atendimento do Samu de Ariquemes divulgado na última semana e revela a dificuldade enfrentada pela equipe com os trotes. Entre janeiro e abril, foram 1.225 chamados ao telefone 192 de situações que não existiam feitas ao serviço de socorro. São mais de 300 ocorrências falsas por mês.

Rodrigo Mezzomo, médico do Samu, explica que além de causar desperdício de material, tempo e profissionais, os trotes podem impedir que a equipe empregada na ocorrência falsa possa chegar com agilidade em uma situação verdadeira.

“É algo que atrapalha muito o serviço, desgasta a equipe e atrapalha todo o sistema. A gente fica bastante chateado, é um desrespeito não só com os trabalhadores, mas também com a população em geral, porque está tirando de circulação uma ambulância que poderia estar atendendo alguma necessidade”, relata.

Ele revela que boa parte das ligações são feitas por crianças a partir de orelhões, o que dificulta a punição. “A gente tem no nosso sistema de dados alguns números rotineiros que estão sempre passando trotes”.

Lei Estadual 3.862

Foi sancionada, em 2016, no estado de Rondônia, a Lei Estadual 3.862, que determina a aplicação de multa para pessoas que passam trote ao Centro de Operações da Polícia Militar (Ciop), Samu e ao Corpo de Bombeiros. A multa para quem for autuado é de R$ 1 mil em cada registro de falsa ocorrência. O objetivo é inibir a prática que atrapalha os serviços de socorro e segurança.

 

O valor da multa pode ser duplicado em caso de reincidência. A identificação de quem passar trote por telefone será feita através de um identificador de chamadas, que vai permitir chegar até o proprietário do telefone de origem. Em caso de menores de idade, o responsável será penalizado.

Ocorrências reais

O balanço também aponta que foram mais de 300 ocorrências atendidas de acidente de trânsito sem vítima fatal. No entanto, ainda que sem morte, esses acidentes deixam sequelas nas vítimas em muitos casos. O médico diz que nos acidentes, os que saem mais machucados são os motociclistas.

 
Maior número de atendimento do Samu refere-se a acidentes com motocicletas, diz médico (Foto: Diêgo Holanda/G1)
Maior número de atendimento do Samu refere-se a acidentes com motocicletas, diz médico (Foto: Diêgo Holanda/G1)

“Disparado, nosso maior atendimento é por acidente de motocicleta. Muitas vezes pacientes que não tem a conscientização de andar com o capacete afivelado ou então capacete de face aberta, geralmente são os nossos atendimentos de pacientes mais graves”, disse.

A violência também figura como uma das maiores causas de atendimentos do serviço. “O que está em alta na nossa região é a violência, o Samu vem atendendo muitos pacientes vítimas de lesão por faca ou baleados”, revela.

Orientações por telefone em casos de engasgamento, parto prematuro, infarto e derrame, também são passadas pelo Samu, por exemplo.


Fonte: G1

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