Técnico Zlatko Dalic orienta os jogadores da Croácia Foto: Khaled Elfiqi/EFE

O técnico Zlakto Dalic revelou nesta quinta-feira que comandou a Croácia sem receber salário no último jogo da fase de grupos das Eliminatórias Europeias e nas duas partidas da repescagem, que garantiram a classificação da seleção na Copa do Mundo da Rússia. Ele assumiu a equipe há um ano, em momento de oscilação e com a missão de encarar esses três duelos decisivos.

“Quando me chamaram, perguntaram se eu estava pronto. E eu disse que estava. Eu não fiz perguntas. Eu fui encontrar os jogadores antes do voo para a Ucrânia, 48 horas antes do jogo. Não houve negociação, não houve mensagens. Eu apenas aceitei. Porque era o sonho de uma vida ser o técnico deste time. Eu não tinha dramas, não tinha dilemas. Eu não queria assinar um contrato. Eu disse: ‘vamos ver o play-off’. Eu não preciso do salário. Se eu conseguir passar de fase e classificar até a Copa do Mundo, aí nós vamos conversar. E assim foi”, contou Zlatko Dalic.

Até junho de 2017, a Croácia ia bem nas Eliminatórias. E o técnico fazia tour pelos estádios da Espanha, Inglaterra e Alemanha, pois havia deixado o clube Al-Ain, do Emirados Árabes Unidos, depois de perder a final da Liga dos Campeões da Ásia.

Mas a seleção de seu país passou por momento turbulento, ficou quatro jogos sem vencer e corria risco de ficar fora da Copa do Mundo. Foi aí que chamaram Zlatko Dalic para o lugar de Ante Cacic. Restava um jogo na fase de grupos: contra a Ucrânia, em Kiev. Uma derrota tiraria os croatas do Mundial. O treinados fez uma mudança tática: colocou o meia Luka Modric mais livre para criar, com menos obrigações defensivas. Deu certo e o time venceu por 2 a 0.

Com o segundo lugar na chave, faltavam ainda os dois jogos da repescagem contra a Grécia. Vitória por 4 a 1 na Croácia e empate por 0 a 0 em solo grego. Classificação para o Mundial garantida.

Agora, Zlatko Dalic está a poucas horas de disputar a final da Copa do Mundo pela primeira vez na história de seu país. A decisão é contra a França, neste domingo, ao meio-dia (de Brasília), em Moscou. E o que levou os croatas a conseguirem esse feito? O treinador afirma que a mudança de característica, com futebol mais coletivo do que individual.

“Messi é o melhor jogador do mundo. Neymar joga em alto nível. Mas todos os times que dependem muito de um único jogador foram para casa. Essa é a diferença da Copa. Times que jogam com maior compactação seguiram adiante. Alemanha, Argentina, Brasil, Portugal e outros favoritos caíram antes. O futebol avançou muito, qualquer time bem treinado defende em bloco, se organiza. Individualidade não vai resolver sempre, mas a força do conjunto sim. A Croácia tinha esse problema, de jogadores bons mas que não conseguiam formar um time”, avaliou o técnico.

Sobre o confronto contra os franceses, Zlatko Dalic afirmou que será o mais difícil do Mundial, depois de vencer as três partidas da fase de grupos – Nigéria (2 a 0), Argentina (3 a 0) e Islândia (2 a 1) – e três vitórias em prorrogações e disputa de pênaltis – Dinamarca nas oitavas de final (1 a 1 até o tempo extra e 3 a 2 nas penalidades), Rússia nas quartas (2 a 2 e 4 a 3) e Inglaterra na semifinal (2 a 1, com gol na prorrogação).

“Nós estamos jogando a final, os dois melhores times estão na final merecidamente. Vai ser um jogo diferente. Eles são muito diferentes no contra-ataque, em transição. Não vai ser fácil marcá-los, são um time muito rápido, particularmente Mbappé e Griezmann. Mas nossa união, nossa marcação, nossa rápida transição quando perdemos a bola, podem nos ajudar. Mas vai ser nosso jogo mais difícil”, analisou.

Acerca da superstição apontada por alguns, de que houve campeões inéditos de duas em duas décadas, sempre am anos terminados em 8, nas Copas de 1958 (Brasil), 1978 (Argentina) e 1998 (França), Zlatko Dalic descarta qualquer prognóstico cabalístico de que a Croácia levante a taça em 2018. “Eu não acredito em estatísticas, padrões e números. Acredito no que fiz, no que faço. O que aconteceu há 20 anos não me interessa. Se fôssemos acreditar em estatísticas, não estaríamos aqui. Mas, quem sabe, talvez a Croácia seja um campeão novo depois de 20 anos”, disse, em um misto de meritocracia e crença.


 

Fonte: O Estado de S.Paulo

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