Samara – Em uma Copa do Mundo que quatro dos principais favoritos já foram para casa – Alemanha, Argentina, Portugal e Espanha –, a Seleção Brasileira sabe que não pode se apegar apenas ao favoritismo e à história para superar o México nesta segunda-feira, às 11h (de Brasília), em Samara, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Para evitar qualquer zebra, a equipe do técnico Tite precisa manter o bom nível técnico da vitória sobre a Sérvia, contar com mais uma atuação de gala de Philippe Coutinho, do espírito coletivo de Neymar e que Gabriel Jesus, enfim, desencante, depois de três jogos sem marcar.

“A gente não tem que se preocupar com Alemanha, o que aconteceu. Futebol é jogado. Quanto menos a gente falar, melhor é. Alemanha era favorita, como Argentina, Portugal… Coisas do passado, a gente não pode mudar”, afirmou Thiago Silva, ao ser perguntado sobre como o time encarou a eliminação dos algozes de 2014. Um dos seis remanescentes de quatro anos atrás, o camisa 2 foi escolhido para ser capitão pela segunda vez nesta Copa do Mundo, assumindo aos poucos a condição de líder principal, mesmo com o revezamento da braçadeira. 

Thiago Silva e Tite negaram que a partida traga mais pressão por ser de fase final. “Desde que empatamos no primeiro jogo, vivemos em um mata-mata”, lembro o treinador, se referindo ao empate com a Suíça, por 1 a 1, que obrigou a Seleção a melhorar de rendimento para vencer Costa Rica e Sérvia, ambos por 2 a 0. “(Contra o México) teremos alguns ajustes, mas uma expectativa de que a equipe reproduza o desempenho do último jogo”, afirma Tite.

Zagueiro do PSG, Thiago Silva disse que espera que Neymar brilhe, à exemplo de Cavani e Mbappé, seus outros companheiros de clube. Contra os sérvios, Neymar fez um grande jogo, na avaliação de Tite, que acredita que o camisa 10 já esteja em sua melhor forma, depois da lesão. Na primeira fase, Neymar dividiu o protagonismo com Coutinho, que vem sendo o grande jogador brasileiro da Copa, com dois gols e uma assistência. O jogador do Barcelona é um dos atletas mais participativos da Copa, com exatos 600 passes em três partidas. Passou pelos pés dele a classificação brasileira.

 Lucas Figueiredo/CBF

Contra os mexicanos, Filipe Luís será mantido no lugar de Marcelo, que não tem condições para jogar uma partida inteira – ainda mais com a possibilidade de prorrogação. “Ficamos temerosos para um jogo que pode ser 120 minutos. Eu não posso cravar que ele (Marcelo) tem capacidade. Além disso será um jogo com 34, 35 graus e umidade elevada, que faz o desgaste físico ser muito grande”, comentou o preparador físico da Seleção Brasileira, Fábio Mahseredjian. 

Brasil e México se enfrentam às 18h do horário local, com previsão de até 35ºC. É a temperatura mais alta que o Brasil enfrentou até agora. Nas três primeiras partidas, a Seleção Brasileira jogou duas vezes à noite e a única que foi durante a tarde, o céu estava nublado, contra a Costa Rica, em São Petersburgo. Já os mexicanos jogaram com termômetro acima dos 30ºC, na vitória sobre o México sobre a Coreia do Sul, por 2 a 1, em Rostov do Don. 

“A desidratação virá. Vamos atentar para que os atletas se hidratem bem antes da partida, com isotônicos, para que não sinta tanto essa desidratação, pois a queda de performance é proporcional”, comentou o preparador.

RETROSPECTO FAVORÁVEL

Será a quinta partida entre Brasil e México na história das Copas. Os brasileiros venceram as três primeiras partidas, em 1950 (5 a 0), 1954 (4 a 0) e 1962 (2 a 0) e empataram sem gols na Copa passada, quando Guillermo Ochoa fez partida inspirada. “É um dado estatístico, olhado para o passado, tal qual a outra referência, eles tiveram vitória de ouro olímpico”, comentou Tite, se referindo ao retrospecto melhor dos mexicanos em jogos decisivos. 

O time latino-americano já superou o Brasil três vezes quando se encontraram em finais: as finais da Copa Ouro’1996, Copa das Confederações’1999 e dos Jogos Olímpicos de Londres’2012. “O que é importante, independentemente destes números: no jogo anterior, todos os atletas tiveram individualmente muito bom ou bom desempenho, isso fortalece a equipe. Quem entrou tem feito a diferença”, ressaltou Tite.

ADVERSÁRIO

AFP / Manan VATSYAYANA

O México tem sete remanescentes do ouro olímpico conquistado sobre o Brasil em 2012 e 15 jogadores que estiveram na Copa do Mundo’2014, quando caíram nas oitavas de final para a Holanda – os mexicanos são eliminados nesta mesma fase desde 1994, há seis Mundiais. Ex-técnico do São Paulo, o colombiano Juan Carlos Osório considera o Brasil “o melhor time do mundo”, mas não vai abrir mão de jogar ofensivamente. 

“Nunca vamos renunciar nossa proposta de ser protagonistas e atacar. Sempre colocaremos time com, no mínimo, de cinco ofensivos” afirmou Osório, que levou o México às vitórias sobre Alemanha (1 a 0) e Coreia do Sul (2 a 1), e foi goleado pela Suécia, por 3 a 0, na última rodada.

A grande força do México está no seu trio ofensivo, com Vela, pela direita, Chicharito Hernández, centralizado, e Hirving Lozano, pela esquerda. Este último, que defende o PSV, da Holanda, é o destaque dos mexicanos na Copa, marcando o gol sobre os alemães e dando uma assistência no triunfo sobre os coreanos.

“É um trio de respeito, de qualidade técnica, inteligentes, ocupam os espaços. O Chichatito conheço melhor, sei da qualidade que tem. Qualquer cuidado é pouco com esse trio de ataque. Não só eles. Tem que cuidar dos outros para minimizar essas bolas até os atacantes”, comentou Thiago Silva.

O único desfalque do México é o zagueiro Héctor Moreno, suspenso pelo segundo amarelo. Seu substituto deve ser Ayala. A outra opção é o veterano Rafa Márquez, que disputa sua quinta Copa do Mundo – recordista ao lado do compatriota Carbajal,  do alemão Lothar Matthaus. e do italiano Gianluigi Buffon.

Fã do futebol brasileiro, Osorio elogiou o time verde-amarelo ontem. “Creio que o Brasil é uma grande equipe. Me atreveria a dizer que é a melhor do mundo, pois coletivamente todos os jogadores têm capacidade de controlar e passar a bola”, afirmou. “Tem um treinador de alto nível, que sabe mesclar muito bem seus jogadores. Me parece uma grande oportunidade para os mexicanos enfrentar, nas oitavas de final, a melhor equipe do mundo”

OURO OLÍMPICO  Dos sete remanescentes dos Jogos Olímpicos que estão na Rússia, apenas o volante Héctor Herrera é titular. Oribe Peralta, autor dos dois gols do ouro olímpico, está no bando. Do Brasil, quatro jogadores estavam em campo: Thiago Silva, Neymar, Danilo e Marcelo.

“Tive a oportunidade de estar na medalha de ouro. Tenho recordações bonitas, mas já passou. Tem que viver o presente e sabemos que o Brasil é uma equipe de muita qualidade, jogadores que jogam nas melhores equipes do mundo”, comentou Herrera. “Espero que façamos uma grande partida, temos confiança no grupo, em mim mesmo e confio que faremos o possível para continuar nosso sonho de vencer a Copa.”

Philippe Coutinho 
26 anos, armador do Barcelona

3 jogos
260 minutos
2 gols
1 assistências
200 passes
7 chutes a gol
4 chutes no gol
2 faltas cometidas
3 faltas sofridas
1 cartão amarelo

Hirving Lozano
22 anos, armador do PSV

3 jogos
227 minutos
1 gols
1 assistências
51 passes
5 chutes a gol
2 chutes no gol
5 faltas cometidas
11 faltas sofridas
0 cartão amarelo

GABRIEL BOUYS e HECTOR RETAMAL/AFP


BRASIL x MÉXICO

Brasil: Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís; Casemiro e Paulinho; Willian, Philippe Coutinho e Neymar; Gabriel Jesus. Técnico: Tite

México: Ochôa; Álvarez, Ayala, Salcedo e Gallardo; Herrera, Layún e Guardado; Vela, Lozano e Chicharito Hernández. Técnico: Juan Carlos Osório

Estádio: Arena Samara, em Samara
Horário: 11h (de Brasília)
Árbitro: Gianluca Rocchi (ITA) 
Assistentes: Elenito Di Liberatore e Mauro Tonolini (ITA)


 

Fonte: Renan Damasceno /Estado de Minas

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