O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi reeleito para mais 6 anos de mandato com uma abstenção de 54% em meio a uma eleição boicotada pela maioria das forças da oposição e com denúncias de fraudes. Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Maduro ganhou o pleito com 5.823.728 votos. Até as 23h30 deste domingo, os votos de 96,6% das urnas tinham sido apurados. Ainda segundo dados oficiais do CNE, a participação dos eleitores chegou a 46%. Nas útimas eleições presidenciais, celebradas em 2013, 80% dos eleitores compareceram aos colégios eleitorais. Ao longo do dia, a maioria das ruas da Venezuela registravam muito pouco trânsito e os colégios eleitorais estavam quase vazios.

O único adversário real de Maduro era Henri Falcón, que obteve 1,8 milhões de votos. O líder opositor declarou minutos antes do anúncio do resultado que não reconhecia o processo eleitoral deste domingo e exigiu a convocação de novas eleições. O candidato da oposição afirmou ter recebido 900 denúncias de irregularidades na jornada eleitoral. Com um tom enfático, ele criticou o “descaro” e o “vantagismo” do chavismo no pleito.

Ao fundamentar suas denúncias, Henri Falcón fez questão de ressaltar a presença dos chamados  “pontos vermelhos”, núcleos de ativismo e proselitismo político, proibidos por lei, que as organizações chavistas instalaram a 200 metros dos locais de votação, e inclusive dentro deles, sob total consentimento do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Os pontos vermelhos são considerados por muitos dirigentes oficialistas, como Diosdado Cabello, um direito adquirido.

Costumam ir a esses espaços os eleitores do presidente Maduro para registar seu voto com o  chamado “carnê da pátria”, com o qual estariam assegurando as ajudas e os programas sociais em troca de votos. O carnê é um documento com que o chavismo tenta conquistar o apoio das classes populares. Circulam no país mais de 16 milhões. Eles permitem o acesso a bônus e serviços e, ainda que oficialmente não sirva para receber atenção preferencial no recebimento das caixas periódicas de alimentos, é um instrumento utilizado para medir a fidelidade ao regime.

O processo eleitoral deveria terminar oficialmente às 18h (19h de Brasília), mas algumas escolas ficaram abertas uma hora e meia após esse horário em várias partes do país. Maduro votou pouco antes das 6h ao colégio Miguel Antonio Caro, em Caracas. “Fui o primeiro votante da pátria (…) sempre em primeiro nas batalhas pela nossa soberania, pelo direito à paz”, declarou o líder chavista.

Alguns países como Argentina e Chile afirmaram que não irão reconhecer as eleições presidenciais venezuelanas, além da União Europeia. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, classificou as eleições presidenciais na Venezuela como “fraudulentas” e disse que elas “não mudam nada” no cenário do país. “Observando hoje (o que acontece na) #Venezuela. As fraudulentas eleições não mudam nada. É preciso que o povo venezuelano dirija este país… Uma nação com tanto o que oferecer ao mundo”, escreveu Pompeo no Twitter.


Fonte: El País

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