Quase dez dias depois do presidente Michel Temer anunciar que vai privatizar a BR-364, entre as cidades de Porto Velho e Comodoro (MT), o G1 percorreu a rodovia para ver os principais problemas enfrentados por motoristas e autoridades diariamente. Buracos, falta de acostamento e acidentes lideram a lista de desafios para serem solucionados com a privatização.

A BR-364 começa em Limeira (SP) e passa por vários estados, como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre.

Na previsão do governo, apenas um trecho entre Rondônia e Mato Grosso é que será leiloado para o setor privado.

Dentro de Rondônia, a rodovia é alvo de constantes reclamações de motoristas, onde alegam ter prejuízos com buracos em vários municípios.

1° trecho

O percurso do trecho da reportagem começa por Vilhena (RO), que faz divisa com Comodoro. O município é um dos que vai receber a privatização.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Vilhena, os principais problemas da BR-364 são a falta de acostamento, ou acostamento estreito, e os buracos na pista.

 
Cruz ao lado da rodovia identifica vítima que morreu em acidente no local (Foto: Eliete Marques/G1)
Cruz ao lado da rodovia identifica vítima que morreu em acidente no local (Foto: Eliete Marques/G1)

A corporação atende do Km 1 até o Km 155, próximo da entrada de Chupinguaia (RO). O trecho que apresenta mais problemas com buracos é o do Km 27, localizado próximo à entrada da cidade de Colorado do Oeste (RO) e segue até o Km 40.

Contudo, atualmente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de Rondônia está fazendo reparos na região.

Ainda segundo a PRF, o principal motivo para os acidentes do Km 01 até o Km 155 é a ultrapassagem irregular.

G1 falou com motoristas e eles enfatizaram que o problema poderia ser resolvido com a duplicação da rodovia.

 
Motorista parou carreta em acostamento improvisado do lado de uma cruz (Foto: Eliete Marques/G1)
Motorista parou carreta em acostamento improvisado do lado de uma cruz (Foto: Eliete Marques/G1)

“Eu e meus companheiros acreditamos que a duplicação poderia evitar muitos acidentes”, enfatizou Antônio Colla, de 55 anos, que trabalha no segmento há 30 anos.

A reportagem falou com o condutor quando ele parou em um acostamento improvisado. Por coincidência, no local havia uma cruz, que identificava uma morte ocorrida no local.

“Eu me lembro desse acidente. Foi entre dois caminhões e as condições da via contribuíram para a colisão”, contou.

Antônio voltava para Vilhena, onde mora. Ele havia descarregado uma carga de soja em Porto Velho. “Não tem acostamento nessa BR e quanto tem, não cabe um veículo. Os acostamentos, assim como a estrada, sempre têm buracos. A pior situação é na época das chuvas”, salientou.

 
Trecho da BR-364 em Vilhena que mais tem problemas com buracos passa por obras atualmente (Foto: Eliete Marques/G1)
Trecho da BR-364 em Vilhena que mais tem problemas com buracos passa por obras atualmente (Foto: Eliete Marques/G1)

2° trecho

Responsável pelos trechos de Pimenta Bueno (RO) a Ouro Preto do Oeste (RO), o chefe da 2ª Delegacia de Polícia Rodoviária Federal, Jesuíno Dantas, explica que a situação da BR 364 neste trecho ainda não está dentro de todos os padrões, mas algumas obras têm trazido melhorias.

 
BR-364 próximo de Ji-Paraná (Foto: Pâmela Fernades/G1)
BR-364 próximo de Ji-Paraná (Foto: Pâmela Fernades/G1)

Segundo Dantas, um dos grandes problemas são os buracos recorrentes na pista. “É um dos causadores de acidentes, mas, ultimamente o DNIT tem feito o trabalho de tapa buraco de forma mais ágil, assim a rodovia não fica tão abandonada”, afirma o chefe.

Outro ponto ressaltado são os locais onde é necessária a terceira faixa e ainda não há. Jesuíno explica neste trecho há muito trânsito de carretas e os motoristas de veículos pequenos não conseguem agilizar a viagem, pois precisam seguir o ritmo das carretas.

“Às vezes o motorista sai daqui (Ji-Paraná) e chega até a Ariquemes atrás de uma carreta, por causa das curvas ou subidas que não tem como ultrapassar. Se tivesse uma terceira faixa, a viagem seria bem mais rápida”, explica.

Segundo Dantas, a construção da terceira faixa entre Ji-Paraná e Ouro Preto já irá agilizar bastante a viagem dos motoristas. Mas, o ideal mesmo, seria a total duplicação da BR 364.

Sobre a sinalização, Jesuíno afirma que não tem sido um grande problema na região. “A falta de sinalização é mais grave que qualquer outro problema. Se a pessoa não é orientada, as chances dela fazer uma ultrapassagem em local indevido é muito maior e causar um acidente de colisão frontal, que são sempre os mais graves”, explica.

 
Caminhou tombou na BR-364 por causa de buracos (Foto: PRF/Divulgação)
Caminhou tombou na BR-364 por causa de buracos (Foto: PRF/Divulgação)

O motorista Lazaro Lopes de Lima tem 60 anos e percorre o estado inteiro fazendo frete. Para ele, atual situação da BR-364 no estado ainda está bem longe do ideal. Por outro lado, não acredita que a privatização vá resolver o problema de vez.

“Eu ouço relatos de pessoas de outros estados que, mesmo pagando o pedágio, não têm uma rodovia em ótimas condições”, explica.

Outro ponto que o motorista ressalta é sobre os impostos que são pagos anualmente para a manutenção das rodovias. “Eu trabalho com frete, que hoje está muito mais barato. Anualmente preciso pagar impostos do meu caminhão e toda documentação. Ainda ter que pedágio é complicado. Eu que passo diariamente na rodovia, será um custo alto no final do mês”, acredita.

3° trecho

 
Rodovia entre Ariquemes e Porto Velho (Foto: Jefers Carlos/G1)
Rodovia entre Ariquemes e Porto Velho (Foto: Jefers Carlos/G1)

Nos trechos da BR-364 entre os municípios de Ouro Preto do Oeste (RO) a Polícia Civil, sob a responsabilidade da 3ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), um dos fatores mais críticos é o alto índice de acidentes de trânsito.

Para a PRF de Ariquemes (RO), a informação da privatização da rodovia é de grande valia, pois o procedimento pode trazer benefícios igualmente a em outras rodovias privatizadas no país.

O inspetor André Benedetti afirma que as melhorias incrementadas na rodovia podem cooperar com a redução dos acidentes e beneficiar a própria PRF, que terá mais oportunidades para se voltarem especificamente à fiscalização do trânsito.

“Entre os benefícios que os usuários da rodovia podem receber, como é visto em outras semelhantes, vai da melhoria nas condições da malha viária e a prestação de auxílio tanto de saúde quanto ao de guincho”, diz.

Segundo Benedetti, as condições da pista encontrada no trecho sob a responsabilidade da 3ª Delegacia não é o principal fator nas ocorrências dos acidentes, mas sim a imprudência dos motoristas.

 
PRF de Ariquemes cuida de trecho até Itapuã (Foto: Jeferson Carlos/G1)
PRF de Ariquemes cuida de trecho até Itapuã (Foto: Jeferson Carlos/G1)

“Infelizmente o que nós acompanhamos nos números estatísticos e as condicionantes da pista, não são as primordiais para as ocorrências de acidentes. A condução dos motoristas é um dos principais fatores para os acidentes, entre eles o excesso de velocidade e a falta de atenção são os principais fatores para que ocorram os acidentes na rodovia”, destacou o inspetor.

O motorista Marcelo Souza conta que trabalha como caminhoneiro há aproximadamente 12 anos e vê com bons olhos a notícia de que a BR-364 será privatizada, pois ele acredita que a rodovia precisa de melhorias há muito tempo.

“O fluxo de veículos aumentou muito na região, principalmente na época de transportar as safras ao porto. A duplicação da rodovia seria uma grande solução para que todos os problemas se encerrassem, pois hoje em dia está cada vez mais perigoso trafegar sem presenciar ou ser vítima de um acidente”, detalha.

Outro ponto crítico em que o caminhoneiro diz ser encontrado na BR-364 é o pouco espaço ou a não existência para acostamento.

 
Motoristas reclamam de constantes acidentes (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
Motoristas reclamam de constantes acidentes (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

“Existem locais que se o condutor precisar parar, ele não conseguirá, pois não há espaço suficiente na faixa de acostamento. Há outras também que nível é irregular e não acompanha a altura da pista, desta forma pode ser que o motorista venha a sofre um acidente, caso não esteja atento”, analisa.


Fonte: G1

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